Primeiro Capítulo - última parte
Reis e imperadores franceses serão os melhores divulgadores das essências, figuras como Napoleão que chegavam a usar um vidro de colônia por dia, ou ter para cada dia da semana um perfume, como Luís XV, enchiam de fantasias o imaginário do povo. Ter um perfume era um luxo ambicionado por todos.
A Inglaterra de Henrique VIII valorizava
sobremaneira o cultivo da lavanda, e era uma convenção social plantá-la ao
redor das propriedades, garantindo um delicioso aroma, e utilizando-a como
repelente de insetos. Há referências literárias que falam da Rainha Elizabeth
como tendo sido uma criança que cresceu rodeada por esta flor, e que ela a
acompanhou por toda a vida, inclusive na forma de chá para aliviar a enxaqueca constante. Durante seu reinado, a lavanda também reinou,
desfrutando de muita popularidade. Mulheres costuravam bolsinhas contendo
lavanda, em seus vestidos. Há plantações de lavanda em Norfolk que existem
desde a metade do séc. XVI, o que comprova a predileção olfativa dos ingleses
pelo aroma suave e refrescante desta flor. A tradicional english lavender da Yardley, considerada por muitos a melhor
lavanda do mundo, já está no mercado há literalmente muito tempo, assim como
outras marca como Attikinsons. A óleo essencial de lavanda é extremamente usado
na Inglaterra, onde seu uso é qualificado como uma terapia eficaz. Dores de cabeça e
tensões nervosas de um modo geral, encontram na utilização da lavanda, um alívio
imediato. Para “confortar” o estômago, desinfetar e aromatizar quartos de
pessoas doentes, e habitar jardins ingleses, propiciando um mel de qualidade
ímpar, a lavanda é parte constitutiva da cultura inglesa.
sala do séc.XVIII onde eram armazenadas as ervas
O que hoje conhecemos como aromaterapia,
inclusive a expressão, inicia-se com René Maurice Gattéfossé, químico francês
que na década de 1920, ao queimar-se em seu laboratório com água fervente,
banhou sua mão no primeiro líquido que estava a sua frente, um recipiente com
óleo essencial de lavanda. Imediatamente, percebeu um alívio mais rápido da dor, e a
posterior cicatrização do ferimento em muito menor tempo. Tal experiência fez
com que ele pesquisasse a ação curativa de outros óleos aromáticos vegetais,
dando início à aromaterapia moderna. Posteriormente, Jean Valnet, conhecido
médico francês, que tratou queimaduras e outras enfermidades de soldados
durante a Segunda Guerra Mundial com óleos essenciais, inclusive o de lavanda,
acaba por nos remeter à Dioscórides, já
mencionado no início deste capítulo. Dioscórides, como médico, acompanhava os exércitos romanos, tratando com
lavanda soldados feridos em batalhas. Esta
planta tem sido afinal, uma companheira constante em nossa travessia.
Hoje,
a aromaterapia dispõe de um respaldo técnico-científico extremamente
consistente, pois os diversos óleos essenciais usados têm análise química
minuciosa. Inúmeros trabalhos científicos apontam para a eficácia terapêutica
dos óleos essenciais. Seu uso é constante em hospitais europeus e recentemente,
uma combinação de aromaterapia com acupuntura surgiu, abrindo um novo campo
terapêutico. Assistimos não a prevalência das chamadas medicinas alternativas,
mas a revalorização de saberes milenares, acrescidos de dados científicos
impossíveis de se obter em outros momentos.






Comentários
Postar um comentário