Terceiro Capítulo - A Composição Química da Lavanda e Propriedades





   Na natureza, os óleos essenciais têm um papel importante na proteção das plantas como antibacterianos, antivirais, antifúngicos, inseticidas e igualmente vão de encontro aos herbívoros reduzindo o seu apetite para tais plantas. Igualmente podem atrair alguns insetos para favorecer a dispersão do pólen e das sementes, ou repelir outros indesejáveis. Podem ser sintetizados por todos os órgãos da planta, isto é botões, flores, folhas, hastes, galhos, sementes, frutas, raízes, madeira ou casca (resinas), e são armazenados em células secretores, em cavidades, em canais, em células epidérmicas ou em tricomas glandulares (Bakkali F. et al., 2008)





   As plantas que contém óleos essenciais mostram geralmente uma composição química variável devido a fatores intrínsecos (sexuais, sazonais, ontogenéticos, e variações genéticas) e extrínsecos (aspectos ecolólogicos e ambientais). Geralmente, as indústrias escolhem os quimiotipos* com potencial interesse comercial, de maneira a obter produtos finais de alta qualidade, assim como uma atividade biológica eficiente (Zuzarte M. et al., 2009).

  Os óleos essenciais são misturas complexas que podem conter aproximadamente de 20-60 componentes de concentração completamente diferentes. O grupo principal é composto por terpenos e terpenóides, e outros componentes aromáticos e alifáticos, todos caracterizados pelo baixo peso molecular (Bakkali F. et al., 2008)

(Fonte: Estudo Químico da Lavanda luisieri - João Paulo M. R. Araújo - Universidade da Beira Interior - Covilhã - Portugal)

Quimiotipos* - Uma planta para se adequar ao clima, tipo de solo,altitude e outras condições de uma determinada região, é capaz de modificar a sua estrutura química sem afetar de maneira significativa o seu fenótipo - que são todas as características visíveis de um organismo. Isto quer dizer que ela, com o objetivo de se adaptar a um ambiente em particular, pode dar origem a uma "variedade" quimicamente nova, com propriedades morfológicas idênticas ou muito semelhantes àquelas da mesma espécie. O quimiotipo (QT), então, refere-se a esta "variedade" ou a raça química da planta - classificação esta de grande importância para os óleos essenciais uma vez que isto afeta diretamente seus ativos e, consequentemente, todas as suas propriedades.

(Fonte: Wagner Azambuja - www.oleosessenciais.org)


Comparemos agora, as composições químicas e propriedades de dois tipos de lavanda.

Lavanda Angustifolia/Maillette     Lavandula angustifolia 
. linalil - acetato
. linalol
. ocimeno
. terpineno-4-OL
. lavandulol, 1
. 8 cineol
. lavandulil-acetato

Propriedades: antidepressivo, antinflamatório, antisséptico, antiespasmódico, antibacteriano, antiviral, equilibrante, calmante, descongestionante, relaxante, sedativo, reconfortante e tonificante.
Trata acne, furúnculos, herpes labial, dermatite, eczema, piolho, erupções cutâneas, infecções cutâneas e queimaduras.
Estimula o processo de cura e promove o crescimento das células, acelerando a formação de pele nova e saudável.

Lavandin      Lavandula hybrida ou Lavandula x intermedia
. linalol
. linalil - acetato
. cânfora
. 1,8 cineol
. bornéul
. landulil - acetato
. lavandulol

Propriedades: analgésico, anticonvulsivo, antimicrobiano, antirreumático, antisséptico, antiespasmódico, antitóxico, carminativo, colerético, cicatrizante, citofilático, desodorante, diurético, emenagogo, hipotensivo, inseticida, nervino, parasiticida, rubefaciante, sedativo, estimulante, sudorífico, tônico e vermífugo.

(Fonte: www.oshadhi.com.br)

Como podemos observar, estes dois tipos tão conhecidos de óleo essencial de lavanda são muito semelhantes em suas composições e propriedades, daí referirmo-nos comumente, à "lavanda" de um modo geral. As particularidades de cada quimiotipo interessa-nos quando seu uso é destinado a cuidados aromaterápicos, respeitando as sutilezas de cada composição, porque esta indicará as respectivas propriedades.





Ainda sobre a constituição química da lavanda:



Ésteres – acetato de linalila, acetato de lavandulila, acetato de geranilia, acetato de terpinila e acetato de hexenila.
Álccois Terpenos – linalol, terpeno 4 ol, cuminaldeído, alfa terpênico, bomeol e geraniol. Em quantidades menores: pineno, mioreno, careno, limoneno e ocimeno.
Aldeídos – benzaldeído, hexana, citral e cuminaldeído.
Cetonas – metilheptona e cânfora.

Apesar de ser do conhecimento de várias culturas que a lavanda possuía inúmeras propriedades terapêuticas, apenas no século XIX que a análise química começou a ser feita. Recentemente, os estudos se avolumaram, e sem dúvida o interesse científico pela planta é expresso em inúmeros trabalhos. Alguns deles, citamos aqui no corpo dos capítulos ou no índice bibliográfico,  para que você tenha possibilidade de acessá-los.



  O óleo essencial de lavanda é considerado por muitos autores e pesquisadores, como o mais versátil e completo de todos, sendo utilizado de forma cada vez mais frequente e gozando de um lugar especial nos tratamentos aromaterápicos.
  No Brasil ainda é difícil encontrar um profissional de medicina que utilize óleos essenciais como forma de tratamento tão efetivo como outros, mas na França, médicos praticam a aromaterapia, sobretudo via oral. No combate às infecções, por exemplo, como problemas urinários, doenças genitais, brônquicas e outras afecções pulmonares, como é mencionado no livro de Maggie Tisserand e Monika Jünemann, fonte utilizada frequentemente aqui.
Ainda na Europa, pacientes idosos são tratados com lavanda na Inglaterra, para aliviar os efeitos danosos de longas internações. Aliada à meditação, massagens e musicoterapia, os resultados são potencializados. A lavanda é utilizada para purificação do ar, para estimular o sono e estados de relaxamento, para diminuir a ansiedade em pacientes que fazem cirurgias. É usada também, para potencializar a analgesia, minimizando dores intensas. O armaterapeuta e pesquisador alemão, Martin Henglein, disse: para mim, a lavanda é a janela para decisão correta, referindo-se à escolha dos óleos essenciais no momento do tratamento.
  Os óleos essenciais ativam o sistema límbico, como vimos no capítulo anterior, lugar das sensações, memórias e sentimentos. Esta fundamental estrutura cerebral é acessada através dos aromas de forma imediata, o que só valoriza e legitima a aromaterapia como tratamento eficaz.














 

Comentários

Postagens mais visitadas