"A LAVANDA EM SUA VIDA" - Primeiro Capítulo

                                                 ( 50-70 d.C)


DESDE MUITO



    Onde tudo começa, quando pensamos na lavanda? Difícil precisar, porque seu uso é mencionado em diferentes culturas antigas. Os indícios apontam para o Mediterrâneo, Egito, Grécia, Itália. O fato é que sua propriedade reguladora, relaxante e calmante é descrita em documentos muito antigos, como o livro do filósofo e botânico grego Theophrastus (370 -286 a.C.), “Sobre Odores”, e citado por outro filósofo grego chamado Diógenes (404-323 a.C.), que referia seu uso cotidiano nos pés.
   O primeiro registro de cura da lavanda que se tem notícia parece ser o do grego  Dioscórides (50-70 d.C.), médico e botânico também grego (na verdade nascido na atual Turquia, mas tendo escrito em grego), que coletava plantas medicinais em todo o Mediterrâneo. Seu importante trabalho em cinco volumes intitulado “Da Matéria Médica” foi referência por séculos. Mas tudo indica que os gregos aprenderam a usar a lavanda com os egípcios, que além de a utilizarem como perfume pessoal e nas mumificações, usavam para ungir suas cabeças.




     Os antigos romanos conheciam a lavanda como erva de cura, de qualidades anti-sépticas, entre outras, ideal para aromatizar banhos, curar feridas, proteger as casas da ação de insetos. O nome lavanda possivelmente veio do verbo latino “lavare”, ou ainda da palavra “livendulo”, que significa “lívida ou azulada”. Os gregos a chamavam de “nardus”, uma referência à cidade de Naardus, na região do Eufrates, na Síria (possivelemnte a atual cidade de Dohuk, no Iraque). 


     Na Índia chama-se “nardo”, mas este nome é também aplicado a uma planta herbácea, da família das valerianáceas (Nardostachys jatamansi), originária da Ásia, cujo rizoma aromático foi muito empregado pelos antigos em perfumaria. Isso explica a controvérsia relacionada  à possível presença da lavanda em citações bíblicas, como por exemplo: “Então Maria (Madalena) tomando uma libra de bálsamo de nardo puro, de grande preço, ungiu os pés de Jesus e os enxugou com seus cabelos e encheu-se a casa do cheiro do bálsamo” (Evangelho de João). Ou seja, alguns entusiastas da lavanda acreditam que a palavra “nardo”, nos textos bíblicos, refere-se a nossa conhecida lavanda. Já outros colocam a possibilidade de ser esta uma outra espécie, também utilizada à época, da qual se extraía um valioso óleo aromático.



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